Paralisação do setor caminhoneiro gera perdas para o comércio exterior do Brasil

2 Junho 2018

O setor caminhoneiro do Brasil decidiu parar suas operações em 21 de maio, com o objetivo de exigir uma redução nos preços do óleo diesel – que sofreram um aumento de mais de 50% nos últimos 12 meses. Além da exigência pela redução nos preços, exigem a fixação de uma tabela mínima para os valores de frete. Com caminhões parados, bloqueando parcialmente as rodovias, o Brasil sofreu um revés em suas exportações.

 

A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) estima que, em mais de oito dias de paralisação, o país tenha perdido pelo menos US$ 1 bilhão com vendas para o exterior que deixaram de ser feitas. Segundo José Augusto de Castro, presidente da AEB, cerca de 70% das exportações do Brasil são commodities – produtos agrícolas ou minerais. Ele explicou que não existe uma queda em termos de vendas em razão da greve, mas houve um adiamento no prazo de entrega das mercadorias. Calcula-se, ainda, que o setor de commodities tenha perdido 3% de suas vendas mensais, representando entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões. Na área dos produtos manufaturados, a perda estimada é de 5%, o que representa mais de US$ 500 milhões.

 

Os efeitos da paralisação dos caminhoneiros já começam a ser sentidos em outros países da região. Na Argentina, produtos como cosméticos, soro de leite e autopeças ainda aguardam o embarque para o Brasil devido às incertezas na entrega das mercadorias neste país. No caso do Paraguai, a paralisação causou queda na entrada de mercadorias brasileiras no país. Segundo a Direção Nacional de Alfândegas (DNA) do Paraguai, o prejuízo gira em torno de US$ 5 milhões e US$ 7 milhões na arrecadação aduaneira. Segundo a entidade, aproximadamente 900 caminhões procedentes do Brasil que transportavam mercadorias e combustível encontravam-se parados nas rodovias. No caso do Uruguai, houve um desabastecimento de carne suína e bovina brasileira no mercado interno nos últimos dias. A carne bovina é o produto que age como regulador de preços no mercado uruguaio.

 

Ministros do gabinete de monitoramento da crise do Palácio do Planalto permanecem reunidos nesses dias em Brasília. Eles analisam os impactos da paralisação dos caminhoneiros, cuja negociação levou, em 27 de maio, a um acordo com a categoria dos profissionais – o qual, no entanto, não foi reconhecido por alguns dos grevistas. O acordo anunciado pelo presidente Michel Temer inclui a redução em R$ 0,46 no preço do litro do diesel durante 60 dias.

 

Reportagem ICTSD

 

Fontes consultadas:

 

EBC. Brasil perdeu US$1 bi em exportações por causa da greve, estima AEB. (28/05/2018). Acesso em: 31/05/2018.

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______. Empresas argentinas e paraguaias registram prejuízos com a paralisaçaõ. (28/05/2018). Acesso em: 31/05/2018.

El País. La huelga en Brasil frena el comercio de carne uruguaya. (30/05/2018). Acesso em: 31/05/2018.

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