Quinta rodada de negociação do NAFTA levanta dúvidas quanto ao setor automotivo

25 Novembro 2017

Os países que compõem o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês), Canadá, Estados Unidos e México, reuniram-se de 17 a 21 de novembro para a quinta rodada de renegociação do acordo, na Cidade do México. Trinta mesas de trabalho foram estabelecidas para abordar temas como comércio digital, telecomunicações, procedimentos alfandegários, medidas sobre inocuidade e segurança alimentar, além de assuntos mais delicados, tais como solução de controvérsias, compras governamentais, agricultura e regras de origem.

 

Grande parte da divergência entre os três países reside na rejeição das delegações mexicana e canadense à proposta dos Estados Unidos para o setor automotivo. Mais especificamente, o país quer elevar de 62,5% para 85% o percentual mínimo de peças produzidas na América do Norte, além de exigir que metade das peças dos veículos seja produzida nos Estados Unidos. Canadá e México também se opuseram a outras demandas apresentadas pela delegação estadunidense, como o plano de eliminar mecanismos importantes na solução de controvérsias e as limitações propostas para agricultura.

 

Para o representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, o déficit do setor automotivo é a “razão número um” para a renegociação do NAFTA. Segundo ele, caso Canadá e México não ouçam as principais demandas de Washington nessa matéria, ficará difícil acreditar que estejam seriamente comprometidos com um novo acordo.

 

O secretário de Economia do México, Ildelfonso Guajardo, comentou que o interesse do país na renegociação do acordo é equilibrar o fluxo comercial entre os membros do NAFTA. Ademais, Guajardo concordou com a necessidade de que o bloco tenha um maior conteúdo regional. Contudo, ponderou que a proposta dos Estados Unidos para aumentar o número de peças dos Estados Unidos nos automóveis produzidos na região gera dúvidas quanto ao conhecimento de como a indústria está estruturada. O secretário de Economia mexicano revelou, ainda, que faltou vontade política para concluir a negociação de capítulos como aqueles sobre comércio eletrônico, melhores práticas regulatórias, facilitação do comércio, temas ambientais e alfandegários, que já estavam próximos de uma versão final.

 

Do lado canadense, a ministra das Relações Exteriores, Chrystia Freeland, avaliou que o plano de regras de origem dos Estados Unidos pode causar danos à própria indústria automotiva da América do Norte. Para ela, algumas das propostas apresentadas são extremas e inaceitáveis, uma vez que o resultado líquido poderia ser negativo para os três países.

 

De modo geral, embora Canadá e México continuem resistindo às propostas apresentadas pelos Estados Unidos, os dois países continuam dispostos a permanecer com os diálogos. Por isso, a equipe de negociação prevê a realização de uma reunião técnica em meados de dezembro e da sexta rodada de negociações em Montreal (Canadá), de 23 a 28 de janeiro de 2018.

 

Reportagem ICTSD

 

Fontes consultadas:

 

El Financiero. Cuestionamientos, la tónica en las mesas. (21/11/2017). Acesso em: 23/11/2017.

 

______. EU choca con México y Canadá en quinta ronda de TLCAN 2.0. (21/11/2017). Acesso em: 23/11/2017.

 

Expansión México. La Ronda 5 de TLCAN cierra sin contrapropuesta de México en Automotriz. (21/11/2017). Acesso em. 23/11/2017

 

New York Times. Nafta Round Closes with talks bogged down by conflict. (21/11/2017). Acesso em: 23/11/2017.

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