Rússia impõe medidas temporárias a frigoríficos brasileiros

10 Novembro 2017

As autoridades do Serviçio Federal de Vigilância Sanitária e Veterinária da Rússia anunciaram recentemente a proibição temporária para a importação de carne bovina do frigorífico Mataboi Alimentos e impuseram controles sanitários mais rígidos a outros cinco. As autoridades russas justificam essa proibição devido à presença de substâncias químicas fora do padrão sanitário no controle adotado pelo país.

 

A medida restritiva para a empresa Mataboi Alimentos entra em vigor a partir de 15 de novembro, enquanto os controles para os outros cinco frigoríficos já estão sendo aplicados. Os outros cinco frigoríficos em questão são: Frigol, JBS, Cooperativa Aurora, Irmãos Gonçalves e Frigo Estrela.

 

Diante deste anúncio, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastacimento, Blairo Maggi, informou que o governo brasileiro não foi notificado sobre essa decisão em relação à suspensão temporária dos citados frigoríficos brasileiros, e que a questão não parece ser grave para o setor. Nesse sentido, o presidente da Associção Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Antônio Camardelli, também minimizou a ocorrência, afirmando que o procedimento anunciado é comum e acontece desde que o Brasil fez acordo sanitário com a Rússia. Para ele, o país apenas suspendeu temporariamente um frigorífico, além de manter outros cinco em observação.

 

Essa proibição temporária ocorre após discurso do ministro Maggi à Câmara de Deputados, em outubro passado – ocasião em que anunciou que o Brasil havia conseguido se recuperar dos prejuízos causados pela Operação “Carne Fraca”, deflagrada pela Policía Federal em março de 2017. Para Alex Santos Lopes, analista da Scot Consultoria, os russos costumam usar os embargos também como forma de negociar preços. Não se trata de uma ação declarada. De acordo com ele, não há neste momento nenhum motivo para questionamentos quanto à qualidade da carne brasileira por outros países, como aconteceu durante a “Carne Fraca”.

 

Segundo dados recentemente divulgados (7 de novembro) pela ABIEC, as exportações de carne bovina do Brasil cresceram 39,72% em outubro em comparação ao mesmo mês de 2016. Hong Kong continua sendo o principal destino da proteína produzida no Brasil, com cerca de 35 mil toneladas comercializadas, seguido pela China, que importou 20 mil, e Egito, com 19 mil toneladas. Esses dados ainda não mostram o possível impacto da proibição por parte da Rússia, que é o quinto maior comprador de carne bovina do Brasil, com aproximadamente 15 mil toneladas de produto importados.

 

Reportagem ICTSD

 

Fontes consultadas:

 

Estadão. Rússia suspende importação de carne de frigorífico brasileiro. (04/11/2017). Acesso em: 09/11/2017.

 

Folha de São Paulo. Rússia suspende temporariamente importações de frigoríficos brasileiros. (04/11/2017). Acesso em: 09/11/2017.

 

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Brasil já recuperou mercados de carne, garante Blairo Maggi. (31/10/2017). Acesso em: 09/11/2017.

 

UOL Economia. Exportação de carne bovina do Brasil cresce quase 40% em outubro ante 2016, diz Abiec. (07/11/2017). Acesso em: 09/11/2017.

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