Reforma ou ruptura?

22 Junho 2017

Muito utilizado e pouco entendido, o termo “populismo” insiste em ocupar o centro do debate político na América Latina. A novidade reside nos fatos que inspiram o seu uso. Tradicionalmente empregada para classificar ações de governos da região, a noção tem apoiado análises sobre países outrora imunes ao recurso retórico. Soa estranho associar os Estados Unidos ou o Reino Unido ao termo, por exemplo. Da mesma maneira, surpreende a referência à ascensão de discursos classificados como “populistas” em uma União Europeia (UE) construída sobre os pilares de democracias liberais.

 

É provável que o atual uso do termo abarque fenômenos diferentes. Nesse sentido, o correr dos anos nos trará os elementos necessários para um enriquecimento da taxonomia disponível. Enquanto isso, a recorrência no uso da noção de “populismo” ajuda na identificação de desvios de princípios que, muitos supunham, eram inabaláveis. Diante de tão complexo enredo, estaremos diante do esgotamento do arcabouço institucional progressivamente construído desde meados do século XX? Será todo populismo protecionista? Até que ponto regimes como o sistema multilateral de comércio são capazes de responder ao mau humor de milhões de eleitores ao redor do globo? É possível concebermos projetos de integração regional em um momento de crescente desconfiança em relação às elites?  

 

O presente número do Pontes oferece a você, prezado(a) leitor(a), artigos que discutem as causas e consequências do populismo. Os cinco textos aqui publicados nos ajudam a entender não apenas a natureza das transformações econômicas, políticas e sociais no hemisfério Norte, mas também a refletir sobre as estratégias adotadas pelo governo do Brasil ao longo das últimas décadas. De fato, o impulso à retórica protecionista em diversos países desenvolvidos fornece material farto para que analisemos a realidade da política comercial brasileira. Qual a responsabilidade das chamadas “potências emergentes” na preservação da ordem vigente? De que maneira os anseios por reformas no sistema internacional dialogam com o descontentamento em estratos de sociedades como a estadunidense, a britânica e a francesa?

 

Dedicada a iluminar questões complexas, a Equipe Editorial do Pontes sabe que as páginas a seguir proporcionam um ponto de partida para o debate. Queremos convidar você, prezado(a) leitor(a), a participar do diálogo, compartilhando suas ideias conosco. Para tanto, oferecemos tanto nosso sitequanto nosso e-mail.

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

A Equipe Pontes

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