Restrições à carne brasileira continuam; produtores de etanol renovam pedido de tarifa

6 Julho 2017

A despeito das tentativas do governo brasileiro de conter a perda de credibilidade da carne nacional, um levantamento recente aponta que dezenas de países ainda mantêm restrições. A situação foi agravada após os problemas encontrados pela União Europeia (UE) e pelo Estados Unidos. Em desenvolvimento paralelo, o setor sucroenergético brasileiro reforçou os pedidos em favor do aumento das tarifas de importação do etanol. A discussão já havia passado pela Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) anteriormente.

 

Um levantamento feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) indica que ao menos 51 países, além da UE, ainda apresentam restrições à importação de carne advinda do Brasil. Dentre eles, nove restringem totalmente a entrada da carne brasileira. Outras restrições incluem reforço das inspeções e bloqueios parciais.

 

O Brasil teve que lidar com duas graves denúncias nas últimas semanas. Uma delas diz respeito à notificação, apresentada pelos Estados Unidos, de irregularidades fitossanitárias na carne brasileira, como a presença de abcessos (acúmulo de pus) nos cortes. A outra diz respeito aos resultados da missão veterinária enviada pela UE ao Brasil em maio. A auditoria encontrou mais de 100 casos de contaminação da carne brasileira e concluiu que o controle das autoridades é insatisfatório (ver Boletim de Notícias Pontes).

 

As denúncias recentes estão principalmente relacionadas ao setor de carne bovina. De fato, em resposta às inconformidades apontadas pela UE, o MAPA lançou um relatório recente em que afirma que não encontrou salmonelas em aves. Concomitantemente, o governo celebrou a decisão da UE de expandir a cota de importação de carne de frango do Brasil.

 

O contexto recente coloca em xeque a eficácia de um dos principais argumentos do governo brasileiro para controlar a repercussão negativa da Operação “Carne Fraca” – nomeadamente a afirmativa de que a Operação lançou luz sobre casos isolados, uma vez que, das “4.837 unidades de processamento de produtos de origem animal sujeitas a inspeções sanitárias federais, apenas 21 estão supostamente envolvidas em irregularidades”.

 

Em relação ao setor sucroenergético brasileiro, produtores nacionais de açúcar e etanol reforçaram seu interesse em uma tarifa sobre o etanol importado. Segundo a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA), “o setor, representado por 21 entidades de toda a cadeia produtiva e signatárias deste manifesto, reitera a relevância e celeridade na imposição de uma tarifa de importação do biocombustível”.

 

O movimento em favor da tarifa foi liderado por usinas nordestinas em abril, após constatarem a multiplicação das importações de etanol dos Estados Unidos. O pedido inicial era de um aumento de 20%, mas a decisão por parte da CAMEX em favor da tarifa foi adiada. Em 15 de maio, grupos domésticos posicionaram-se a favor da taxa (UNICA) e contra esta (Sociedade Ruralista Brasileira – SRB), e uma medida intermediária passou a vigorar. As agências reguladoras começaram a exigir estoques mínimos para importadores de etanol no Brasil, colocando-os em pé de igualdade com os produtores locais (ver Boletim de Notícias Pontes).

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Exame.com. EUA encontram abcessos em carne bovina do Brasil, diz USDA. (23/06/2017). Acesso em: 04/07/2017.

 

Nova Cana. Setor sucroenergético renova pedido de tarifa sobre etanol importado. (30/06/2017). Acesso em: 04/07/2017.

 

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