Soja: Brasil compensa perda no mercado europeu com mais vendas à China

15 Outubro 2018

Em julho de 2018, os presidentes da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, e dos Estados Unidos, Donald Trump, assinaram um compromisso voltado a aumentar sua corrente bilateral de comércio em várias áreas. Como consequência, o Brasil perdeu a posição de maior fornecedor de soja para o mercado da União Europeia (UE). Em contrapartida, a demanda chinesa pelo produto tem aumentado, fazendo com que a soja brasileira continue a escoar para mercados externos.

 

Atualmente, Brasil e Estados Unidos suprem, juntos, o abastecimento de praticamente todos os países da UE. A terceira posição é ocupada pelo Canadá, com apenas 2,3% do mercado, percentual similar àquele do Paraguai.

 

De julho a setembro, o Brasil passou a responder por 39% do mercado europeu de soja – em contraste com os 48% registrados no mesmo período, em 2017. Segundo dados publicados em 20 de setembro pela Comissão Europeia, entre julho e setembro de 2018, a exportação de soja dos Estados Unidos já respondia por 52% do mercado europeu – taxa que chegava a apenas 25% no mesmo período de 2017.

 

De acordo com representantes europeus, a opção pela soja estadunidense neste ano deve-se a seu preço mais competitivo. A tonelada da soja dos Estados Unidos está cotada em € 338, ao passo que a tonelada da soja brasileira é exportada a € 359.

 

Phil Hogan, comissário de Agricultura da UE, garantiu que o bloco europeu está comprometido em cumprir com o compromisso assumido pelo presidente Juncker de aumentar o comércio bilateral com os Estados Unidos, em especial de soja.

  

Apesar da queda nas exportações da soja brasileira para o mercado europeu, a demanda da China tem aumentado substancialmente nos últimos meses – em volumes quase correspondentes às perdas calculadas no mercado da UE na safra 2017-2018.

 

A grande procura internacional pelo produto tem acarretado em um escasso abastecimento no mercado doméstico do Brasil. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) da Universidade de São Paulo (USP), as usinas de soja operam com carência do produto desde a segunda quinzena de setembro – motivo pelo qual reduziram o ritmo de processamento. Outras processadoras já paralisaram suas atividades ou mesmo consideram retomar as atividades somente na nova safra, no primeiro trimestre de 2019. Estima-se que, nesta temporada, o estoque de soja no Brasil seja o mais baixo desde 1999, com 1,5 milhão de toneladas.

 

Reportagem ICTSD

 

Fontes consultadas:

 

Estadão. Pressionada por Trump, UE troca fornecedores de soja e prejudica o Brasil. (20/09/2018). Acesso em: 09/10/2018.

 

Yahoo Noticias. Molinos se quedan sin soja en Brasil ante alta demanda china. (08/10/2018). Acesso em: 09/10/2018.

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