Tarifas dos Estados Unidos sobre aço e alumínio geram movimentação entre exportadores

8 Março 2018

O governo dos Estados Unidos anunciou, na semana passada, a imposição de tarifas de importação adicionais de 25% para o aço e de 10% para o alumínio. Segundo o presidente Donald Trump, a decisão busca proteger os produtores e reconstruir o setor siderúrgico do país.

 

A medida foi anunciada após a divulgação de um comunicado do Departamento de Comércio dos Estados Unidos (DoC, sigla em inglês), segundo o qual a decisão se baseou em análises sobre o impacto das importações de alumínio forjado e em forma bruta sobre o país. Iniciadas em abril de 2017, as investigações foram empreendidas em conformidade com a Seção 232 do US Trade Expansion Act, de 1962 (ver Boletim de Notícias Pontes). Para o DoC, o volume e as condições dentro das quais ocorrem as importações de aço e alumínio “ameaçam prejudicar a segurança nacional”, conforme definido na Seção 232.

 

Até o momento, prevê-se que a medida prejudicará sobretudo a China, maior produtora mundial de aço e alumínio. A imposição de tarifas pode afetar também o Brasil, segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos. O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, calcula que a medida pode resultar em uma queda de 30% nessas exportações. Castro ressaltou, ainda, que o Brasil teria que competir com China e Rússia na busca por novos mercados: caso os Estados Unidos oficializem a medida, América do Sul, Oriente Médio e África podem oferecer oportunidades de acesso a mercado para o aço brasileiro, já que, nessas regiões, a produção siderúrgica não é capaz de atender à demanda.

 

Em reação à decisão do governo estadunidense, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) manifestou sua preocupação com a medida em comunicado de imprensa. Na semana passada, o ministro Marcos Jorge participou de reunião com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, com o objetivo de reiterar que o aço brasileiro não constitui ameaça à segurança nacional e que as estruturas produtivas siderúrgicas dos dois países são complementares. No encontro, o ministro Marcos Jorge reforçou a importância da parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos, sem descartar, entretanto, que o governo brasileiro esteja considerando ações complementares no âmbito multilateral e bilateral.

 

A imposição de tarifas adicionais de importação sobre o aço e o alumínio deve ser oficializada nesta semana e deve colocar os Estados Unidos no limiar de uma “guerra comercial” com outros sócios comerciais importantes. A União Europeia (UE), por exemplo, está considerando impor medidas restritivas às motocicletas Harley-Davidson, ao uísque Bourbon e às calças Levi’s caso os Estados Unidos não recuem em sua decisão. Por sua vez, Canadá e México condenaram a proposta da administração Trump de eximi-los das tarifas se aceitassem fechar um novo tratado de livre comércio, mais “justo”.

 

Reportagem ICTSD

 

Fontes consultadas:

 

Deutsche Welle. “Brasil tendrá dificultad em encontrar outro mercado para el acero”. (04/03/2018). Acesso em: 05/03/2018.

 

El Financiero. Trump lanza ataque comercial: aranceles al acero y aluminio. (01/03/2018). Acesso em: 05/03/2018.

 

MDIC. Pretensão do governo americano em aplicar tarifa adicional sobre importações de aço e alumínio preocupa governo brasileiro. (01/03/2018). Acesso em: 05/03/2018.

 

New York Times. E.U. Leader Threatens to Retaliate with Tariff on Bourbon and Bluejeans. (02/03/2018). Acesso em: 05/03/2018.

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