Trabalho e comércio: funções redefinidas?

25 Junho 2018

Parte essencial da vida humana, o trabalho é um fenômeno em constante mutação. Por trás de uma interpretação mais imediata desse termo, distintos direitos e deveres que lhe são aglutinados podem vir a modificar nosso entendimento de “trabalho”. De fato, transformações no sistema econômico implicam a emergência de novas relações entre pessoas e organizações, com a abertura de oportunidades e riscos. Por sua vez, representantes políticos buscam moldar as instituições com o objetivo de adaptá-las às últimas tendências ou antecipar-se a potenciais efeitos colaterais derivados da adoção de um padrão trabalhista.

 

Tal equação pareceu relativamente simples por determinado período. Ao longo do século XX, a conquista de direitos e a expansão das oportunidades de trabalho desenrolaram-se em uma rota de desenvolvimento econômico e consolidação democrática trilhada por uma série de países. Embora representando a minoria dos Estados no globo, os exemplos de êxito pareciam iluminar um caminho pelo qual, mais cedo ou mais tarde, todas as sociedades enveredariam. Em um mundo pós-industrial, entretanto, o enredo se mostra mais complexo. Afinal, os substanciais ganhos de produtividade obtidos por países desenvolvidos contrastam com a percepção de estagnação ou retrocesso por parte de grupos consideráveis de suas populações.

 

Assim, é necessário refletir sobre questões como: de que forma o acelerado processo de disrupção tecnológica que testemunhamos afeta o equilíbrio de forças em democracias consolidadas? Ou ainda, de que maneira os potenciais ganhos de produtividade derivados dos avanços da robótica ou inteligência artificial beneficiam as distintas classes sociais? Perguntas importantes também abarcam a relação entre Estados: qual o papel dos acordos comerciais na promoção – ou diluição – de direitos trabalhistas amplos? É possível conceber a manutenção de acordos entre duas sociedades com diferentes padrões de proteção aos direitos fundamentais dos trabalhadores? Pode a Organização Internacional do Trabalho (OIT) assumir o protagonismo na condução desses debates?   

 

O espectro de questionamentos é amplo e deve ganhar novas interrogações à medida que empresas e governos redefinem o significado do termo “trabalho”. Aproveitando tal impulso, o presente número do Pontes lança luz sobre a intrincada relação entre comércio e trabalho. Nas páginas a seguir, especialistas dos mais diversos campos oferecem a você, prezado(a) leitor(a), contribuições que nos permitem refletir sobre a influência bidirecional entre o estabelecimento de regras comerciais e a consolidação de um determinado conjunto de direitos trabalhistas.

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

Equipe Pontes

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