UE levanta questionamentos à carne brasileira após recente auditoria

22 Junho 2017

Recentemente, o comissário responsável pelas pastas de Saúde e Segurança Alimentar da União Europeia (UE), Vytenis Andriukaitis, expressou que o setor produtor de carne no Brasil ainda apresenta sérias deficiências, mesmo após as respostas do governo brasileiro à Operação "Carne Fraca". As críticas surgem após a visita de uma missão de veterinários da UE ao Brasil, realizada em maio, e dão força para grupos com reservas ao acordo entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e o bloco europeu.

 

A visita de veterinários da UE ao Brasil entre 2 e 12 maio teve duas motivações principais: i) esclarecer os desdobramentos da Operação “Carne Fraca”; e ii) realizar uma auditoria de rotina para garantir a renovação da habilitação dos frigoríficos brasileiros para exportarem à UE. A missão visitou os estados de Goiás, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso (ver Boletim de Notícias Pontes).

 

A autoria encontrou mais de 100 casos de contaminação da carne brasileira e concluiu que o controle das autoridades brasileiras é insatisfatório. Segundo uma carta de Andriukaitis a Blairo Maggi, ministro da Agricultura do Brasil, a situação lança “sérias dúvidas sobre a credibilidade do sistema de controle” brasileiro. Como resposta, a Comissão Europeia decidiu: i) exigir 100% de checagens microbiológicas pré-exportação; ii) suspender novas aprovações para que frigoríficos brasileiros exportem à UE; e iii) retirar autorização para a exportação de carne de cavalo brasileira.

 

O resultado da auditoria também foi apresentado durante o Conselho dos ministros da Agricultura da UE, em 12 de junho, em Luxemburgo. No documento com os principais temas tratados pelo Conselho, consta que os resultados da auditoria “não foram considerados satisfatórios” e que algumas delegações manifestaram preocupação com o que lhes foi apresentado.

 

As críticas surgem como revés para os esforços diplomáticos do governo brasileiro, particularmente no âmbito do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), para assegurar uma relação comercial estável com os principais importadores de carne do Brasil. Os resultados da auditoria diminuem a efetividade do principal argumento do governo brasileiro, ou seja, o caráter pontual dos casos de irregularidade nos frigoríficos.

 

Com as críticas recentes da Comissão Europeia, a oposição por parte de associações de produtores rurais da UE foi fortalecida. Em encontro com Andriukaitis, a Associação Irlandesa de Produtores Rurais (IFA, sigla em inglês) sustentou que a Comissão não poderia mais confiar nas autoridades brasileiras para certificar a carne exportada para a UE e pediu que produtos da carne fossem retirados do acordo com o Mercosul. O comissário para Agricultura da UE manteve uma perspectiva positiva em relação ao referido acordo. Antes da auditoria, Andriukaitis também havia apontado que não via motivos para remover das negociações carnes e produtos derivados.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Agra Europe. ‘No reason' to bar meat from Mercosur deal – Andriukaitis. (26/04/2017). Acesso em: 20/06/2017.

 

Farmers Weekly. Brazilian meat industry corruption raises Mercosur concerns. (05/06/2017). Acesso em: 20/06/2017.

 

Folha de S. Paulo. Europa questiona carne do Brasil e ameaça suspender importações. (14/06/2017). Acesso em: 20/06/2017.

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