Uma esperança realista?

11 Abril 2018

A renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês) suscita uma mescla de sentimentos. Entre muitos de seus observadores, o processo motiva esperança. Afinal, tratados de livre comércio são incompletos como qualquer contrato. Por mais que diplomatas e especialistas tenham se esforçado ao máximo para prever as possíveis contingências derivadas do Acordo, o desenrolar das multifacetadas relações entre Canadá, Estados Unidos e México revelou uma série de efeitos de segunda ordem de difícil controle. Nesse sentido, redesenhar o NAFTA permitiria às partes atenuar eventuais efeitos colaterais e potencializar os benefícios da ação conjunta.

 

Por outro lado, é inevitável não sentir certa nostalgia ao observar o andamento do diálogo entre as partes do referido acordo. Juntamente com outros marcos da primeira metade da década de 1990 – como a assinatura do Tratado de Maastricht e o estabelecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC) –, a criação do NAFTA lançava uma das bases fundamentais da ordem econômica surgida após o fim da Guerra Fria. Não por acaso, as recentes críticas ao Tratado são parte integrante de uma visão de mundo que, mais do que uma mera renegociação, deseja desconstruir a complexa arquitetura institucional que sustenta o intercâmbio internacional de bens e serviços. Logo, o futuro do sistema multilateral de comércio está intimamente ligado ao futuro do NAFTA.  

 

É possível que a ambição de especialistas e defensores do livre comércio se choque com uma crua realidade: em 2018, a coalizão que suportaria um aprofundamento do NAFTA detém força insuficiente para fazer valer seus interesses. Enfraquecida a hipótese de uma renegociação sem sobressaltos, resta saber quais os cenários viáveis em um sistema internacional em intensa ebulição. Estaremos diante de um caminho sem saída aparente, em que a previsibilidade garantida pelas instituições dará lugar a soluções criativas de curto prazo? Poderão os grupos de interesse ligados aos setores mais dinâmicos da economia da América do Norte – em geral beneficiários do NAFTA – demonstrar a conveniência de uma transição suave rumo a um novo padrão de integração econômica? Haverá espaço para um refinamento nos instrumentos que permitem o diálogo entre as partes, facilitando a resolução de crises como a atual? 

 

Essas são algumas das perguntas que nos inspiraram a conceber esta edição da revista Pontes. O presente número da publicação convida você, prezado(a) leitor(a) a refletir sobre os possíveis cenários abertos pela renegociação do NAFTA. Caso queira participar do debate, publique um comentário em nosso site ou escreva um e-mail para nossa equipe editorial. Somando as opiniões de todos, contribuiremos para o estabelecimento de uma visão mais rica sobre o futuro do Acordo.

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

A Equipe Pontes     

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